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Pesquisadoras mostram que há mais fatores, além da genética, que aumentam as chances de a dor crônica passar de uma geração à outra

dor crônica de pai para filho

A dor crônica pode passar de pai para filho? A resposta mais óbvia para esta pergunta seria sim, naqueles casos em que há fatores genéticos envolvidos no surgimento do problema. Entretanto, não são apenas os genes que podem fazer com que o problema passe de uma geração para a outra.

Uma dupla de pesquisadoras americanas publicou um estudo no início de julho mostrando que são muitas as maneiras como a doença dos pais pode afetar a vida futura dos filhos. “[O estudo] evidencia que a dor crônica é inerentemente familiar e intergeracional”, escrevem as autoras Amanda Stone e Anna Wilson. Por isso, defendem as pesquisadoras, é importante criar abordagens para a dor que contemplem toda a família, especialmente as crianças que podem estar sob sob risco.

No estudo publicado no jornal da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP, na sigla em inglês), as cientistas descrevem cinco mecanismos pelos quais a dor crônica dos pais pode impactar na vida dos filhos. Abaixo, um breve resumo de cada um deles:

  • Genética: há evidências científicas de que filhos de pais com dor crônica tem maior risco de possuir genes ligados tanto à percepção da dor, quanto a fatores psicológicos relacionados com a dor crônica. Calcula-se que os fatores genéticos sejam responsáveis por metade das chances de se desenvolver dor crônica durante a vida.
  • Desenvolvimento neurobiólogico: O desenvolvimento da criança durante a gravidez ou nos primeiros meses de vida pode ser impactado, especialmente nos casos em que é a mãe quem tem dor crônica. Por exemplo: níveis de stress elevados por causa do incômodo constante podem interferir no desenvolvimento do sistema neurológico da criança.
  • Comportamentos sociais relacionados à dor: Um bom exemplo desse mecanismo é quando as crianças começam a copiar o comportamento de catastrofização dos pais. Os pensamentos catastróficos são crenças disfuncionais de que diante de uma determinada situação ocorrerá o pior desfecho. Na dor, eles aumentam a hiper vigilância da pessoa ao sofrimento e também provocam mais tensão muscular, fatores que contribuem para a manutenção do incômodo. Ao copiar esse comportamento dos pais, as crianças tornam-se mais suceptíveis à dor crônica.
  • Criação: A dor crônica dos pais pode fazer com que eles estejam mais ausentes durante o crescimento dos filhos ou que sejam mais permissivos com as crianças. Tudo isso também pode ter um impacto no futuro.
  • Exposição a um ambiente estressante: A dor crônica pode se tornar uma grande fonte de stress não apenas para os pais, mas também para seus filhos. Problemas financeiros ou mesmo a impossibilidade de os pais cumprirem com tarefas básicas dentro de casa podem se tornar sobrecargas para os filhos.

Além desses cinco mecanismos, as pesquisadoras propõem três moderadores que ajudam a entender quando a criança está sob maior risco. São eles:

  1. A presença de dor crônica em ambos os pais;
  2. A duração, o progresso e a localização da dor;
  3. As características da própria criança, como o sexo, o desenvolvimento e o temperamento.